Universo do cartunista Jules Feiffer inspira encenação gratuita dirigida por Fernando Guimarães.

De 13 a 19 de dezembro.

Fotos: Studio Sartoryi.

Um apartamento em obras em uma tarde qualquer. Uma família reunida. Uma bala perdida. http://vcaretechnicalinstitute.com/overtime/[TRANSLITN]-172.html Apartamento 403 é uma sátira à violência em nosso cotidiano. A combinação de neurose social, vigilância constante e paranoia parece abrir caminhos para crimes justificados, certezas inabaláveis e desastres morais ocultos em boas ações. De 13 a 19 de dezembro, às 21 horas, no Teatro Dulcina dentro da programação da 26ª Mostra Dulcina.

“Esses personagens, em particular, estão enlouquecidos ou somente protegem suas casas? Um grupo de pessoas à beira de um colapso nervoso? A partir de um diálogo com o universo do cartunista Jules Feiffer são abordadas as diversas situações a que somos submetidos: desamparo pelas instituições públicas, uma violência urbana banal e próxima, a corrupção em todas as esferas da sociedade e todos aqueles discursos criados para desviar o foco verdadeiro das mazelas que estão nos atingindo”, conta o diretor Fernando Guimarães.

O espetáculo revela, ainda, o comportamento humano e suas idiossincrasias. Com muita ironia e humor delirante, o texto apresenta seres humanos em profundo desagrado com outros seres humanos, exercitando a terrível crença de que o outro é um inimigo a ser abatido antes que nos abata.

“2….20….40….100….vamos assassinar quem?” Esta pequena canção “infantil”, ironicamente cantada por crianças americanas, talvez tenha sido uma das inspirações que nortearam Jules Feiffer a escrever várias obras sobre um mundo cada vez mais violento. Cartunista reconhecido, com vários trabalhos na imprensa, Feiffer, entre as décadas de 1960 e 1970, retratou a metrópole urbana – em uma visão mordaz e muito crítica -, às voltas com seus temores e apetites, e a violência que surge das frustrações e do pavor de um dia a dia perverso.

“De lá para cá, sua “premonição” vem se mostrando cada vez mais atual e presente. Vivemos hoje em um estado em que a vida humana não tem o menor valor, mata-se por nada. Isso sem considerarmos as demais violências, a que estamos sujeitos diariamente. Apartamento 403 surpreende com um final irônico – só superado pelos noticiários da televisão – e apocalíptico?”, complementa Guimarães, e aborda a afirmação de Feiffer, para o qual “Sátira é a criação de um argumento lógico com um final absurdo. Todo humor é basicamente uma ou outra espécie de atentado contra a lógica, mas a sátira refere-se a estender logicamente uma premissa à sua conclusão totalmente insana, mas crítica do sistema que opera”.

O projeto conta vários profissionais, – dentre atores e técnicos – das artes cênicas. Nesta montagem, o diretor optou por estrear no Teatro Dulcina dentro da programação da 26ª Mostra Dulcina. Em 2018, a peça seguirá temporada no SESC.

O diálogo entre linguagens artísticas, pensadores, dramaturgia, filosofia e literatura é um dispositivo de criação que Fernando Guimarães, juntamente com o irmão Adriano que formam o Coletivo Irmãos Guimarães, desenvolve em seus trabalhos artísticos. Essa metodologia foi verificada em diversas pesquisas, notadamente em Hamlet – processo de revelação, atualmente, em circulação por todo o país. Os Irmãos Guimarães foram este ano homenageados no Prêmio SESC do Teatro Candango pelo conjunto da obra e indicados ao prêmio Shell, no Rio de Janeiro.

Serviço: Apartamento 403
Data: De 13 a 19 de dezembro (todos os dias) sempre às 21 horas
Local: Teatro Dulcina de Moraes (Conic)
Entrada franca, mediante senha/distribuída uma hora antes, no local
Classificação indicativa: 16 anos.