Manuela Castelo Branco fala sobre o III Encontro de Palhaças de Brasília.

Renato Acha

III Encontro de Palhaças de Brasília promove uma festa de mulheres palhaças que trazem leveza e gargalhadas para vários pontos da cidade na Semana da Criança, com entrada franca.
A programação faz e rir e também pensar. O público pode conferir o Fórum de Mulheres e Palhaças, lançamento de publicações, palestras, oficinas, 14 espetáculos, quatro cabarés, uma mostra de filmes e um Salão de Artes Visuais.

CineMulheres exibe cinco filmes com fortes presenças femininas. Após cada sessão, acontecerá um breve bate-papo e servido um delicioso Chá Com Palhaças. As sessões serão comentadas pela cineasta e documentarista Erika Bauer.

A novidade desta edição é o I Mapeamento de Palhaças de Brasília, que abre o festival com palestras com mais de vinte palhaças locais e as pesquisadoras Manuela Castelo Branco (DF) e Michelle Silveira (RS). O grupo de percussão feminina Batalá abre os trabalhos após o Palhaças em Tese.

O Salão de Palhaçaria Feminina apresenta exposição de artes visuais com vistas por conta de duplas de palhaças. Os catorze espetáculos integram o programa Palhaças do Mundo, em uma troca entre nações.

O Encontro foi idealizado por Manuela Castelo Branco (a palhaça Matusquella), criadora da CiRcA, a Brasilina, um espaço peculiar localizado no caminho de Sobradinho. Manuela bateu um papo com o Acha Brasília e revelou detalhes deste universo repleto de riso, razão e sensibilidade.

Acha – Como surgiu a ideia do projeto?

Manuela – Em 2008. Na época as palhaças tinham pouco espaço na mídia, no mercado cultural, pouca visibilidade, perspectivas de trabalho. Era um tempo de pouca visibilidade e de poucas oportunidades.

Acha – Qual a evolução deste mapeamento após quatro anos de trabalho?

Manuela – Ahhhh! Hoje o cenário é bem diferente. E as palhaças também. Me arrisco a dizer que vejo o nascimento de uma comicidade própria das palhaças. Uma comicidade feminina. Estamos cada dia mais engajadas, mais conscientes. Mais empoderadas. A mulher mudou. Num contexto mais amplo.

Acha – O projeto apresenta o I Mapeamento de Palhaças de Brasília.

Manuela – É uma das ações mais importantes da Bienal. Saber quem somos, onde estamos, como/onde trabalhamos nos auxilia em muitas coisas. Vai haver um catálogo impresso e tem o blog. Para o catálogo não há mais como se inscrever. Mas para o blog a qualquer hora. O endereço é www.palhacasdomundo.blogspot.com

Acha – O encontro caminha ao lado da CiRcA. a Brasilina, um espaço inovador que nasceu de uma batalha, conte esta história.

Manuela – Sim. Ao longo deste percurso ia percebendo essas fronteiras sendo rompidas. Palhaças que, aos poucos, iam entrando em festivais de circo, ditos mistos, sobretudo trabalhando em hospitais. Isso é uma recorrência, por exemplo, no mapeamento. O trabalho em hospitais. Mas o picadeiro continua sendo a fronteira mais impenetrável. Mais desafiadora ainda. Como as palhaças, de um modo geral, vem de um trabalho anterior com teatro, essa ocupação no picadeiro circense é mais rara. Mais difícil. E dentro deste espaço há uma série de saberes que ainda não podíamos experimentar. Daí a ideia da CiRcA.Um picadeiro feminino.

Acha – Vocês estão literalmente ocupando a cidade em diversos locais.

Manuela – Ainda sou frequentemente questionada sobre a necessidade do festival. A CiRCa, de alguma forma, escancara esta problemática dos territórios neste ofício.

Sim. Desde que começamos o festival buscamos colocar as palhaças em movimento. Daí a importância da IN/EXcursões Palhacísticas. E, agora, dos Cabarés Volantes.

Acha – Há várias vertentes, agora com o cinema também. Quais as novidades desta edição?

Manuela – O Cine Mulher tem uma função dupla. Primeiro tentar começar a visualizar o espaço da mulher dentro do panorama cinematográfico desde o ponto de vista da atriz até a da diretora, documentarista. O segundo é estabelecer um vínculo que possa nos projetar para este meio. Ou seja, que as palhaças surjam na tela. Acalento um projeto há cerca de dois anos que tem a ver com isso. Quando vi o filme do Selton Mello (O Palhaço), confesso que me surpreendi com a presença de uma palhaça dentro dele. O cineasta jogou pra frente, nos projetando num espaço em que comumente não estamos. Se fosse a mulher barbada ou a bailarina, ou a ajudante do mágico, seria mais normal, mais esperado. É nestas horas que vejo que, realmente, estamos num momento diferente, novo, e incontrolável de conquista de espaço.

Outro ponto interessante é o do Salão de Palhaçaria Feminina, um registro visual dessa evolução, desse imaginário tornado palpável. E que agora agrega um programa de atendimento às escolas, com Guias pra lá de engraçadas e insuspeitadas, em Duplas de Palhaças.

Acha – Quais os destaques da programação?

Manuela – Difícil. Tudo é tão importante do seu jeito.

Acha – Fale sobre as atrações internacionais.

Manuela – Politicamente, esteticamente, filosoficamente.

Sim. A gente sempre tenta trazer palhaças de fora do país. Neste ano aconteceu uma coisa bastante interessante. Palhaças nascidas fora do Brasil, mas que escolheram morar aqui e se casaram com brasileiros.

A Naomi Selam (Grupo Lume) é inglesa e a Julieta Zarza é argentina, mas mora em Brasília.

Destaco também o espetáculo “O Caramelo”, de Nadine Labaki e os curtas das diretoras daqui.

Acha – Faça um convite ao público.

Manuela – Na hora. A toda hora.

Venham se encantar com estas mulheres maravilhosas, corajosas e hilárias que são as palhaças de Brasília, do Brasil e do mundo. Uma diversão, uma brincadeira, uma delícia que revela todo um contexto político, social e filosófico sobre o feminino no mundo de hoje. Entrada Franca para tudo.

Confira a programação:

04/10 – QUINTA-FEIRA

Abertura Oficial do Festival com Palestras e Lançamento de Publicações – Palhaças em Tese

Local: Beijódromo / UnB

Horário: 19h00

Tema da Palestra: Palhaças Uma Questão de Gênero

Lançamento da Revista Palhaçaria Feminina, de Michelle Silveira (RS) e do I Mapeamento de Palhaças de Brasília, organizado por Manuela Castelo Branco (DF)

Espetáculo Musical com o Grupo Batalá

Local: Beijódromo / UnB

Horário: 20h30

 

05/10 – SEXTA-FEIRA

Abertura Salão de Palhaçaria Feminina

Local: Foyer da Sala Martins Penna-TNCS

Horário: 10h00 – 17h00

Solo de Palhaças – Palhaças do Mundo

Concessa Tecendo Prosa (MG)

Local: Teatro Dulcina

Horário: 21h00

 

06/10 – SÁBADO

In/Excursão Palhacísticas

Local: Parque da Cidade

Horário: 10h00

As palhaças vão invadir as ruas da cidade numa apresentação única, feminina e encantadora, que farão da nossa cidade nosso maior picadeiro. O espetáculo de rua pode acontecer em qualquer Região Administrativa de Brasília. O objetivo é reconhecer e valorizar artistas locais, e, ainda, promover a valorização da mulher e da inserção dela no mercado de trabalho.

Solo de Palhaças – Palhaças do Mundo

Hipotenusa (DF)

Local: Praça dos Três Poderes

Horário: 16h00

Hipotenusa é a palhaça bailarina. Em seu universo, qualquer rotina pode virar um grande espetáculo de dança. Seu único problema é conseguir enfrentar os obstáculos da vida com toda a graça e perfeição que só uma bailarina pode ter. O espetáculo traz uma divertida performance onde o lado bailarina e o lado palhaça dialogam como dois opostos que se atraem e se repelem num interessante jogo cômico.

Solo de Palhaças – Palhaças do Mundo

Pipocando Poesia (CiRcA Brasilina DF)

Convidada especial: Lilia Diniz

Local: Praça dos Três Poderes

Horário: 17h00

Solo de palhaças – Palhaças do Mundo

Mini Cabaré Tanguero (Argentina/ DF)

Local: Teatro Dulcina

Horário: 19h00

Um fabuloso e variado Cabaré Porteño onde os espectadores mais exigentes poderão contemplar o melhor da dança e da música Rio-Platense. Seria tudo formidável, se não fosse por um pequeno detalhe: a palhaça Zulpeta é quem comanda o espetáculo. Um solo onde a manipulação, o humor e a panaquice surpreendem e emocionam a cada instante.

 

07/10 – DOMINGO

In/Excursão Palhacísticas

Local: Torre de TV

Horário: 10h00

As palhaças vão invadir as ruas da cidade numa apresentação única, feminina e encantadora, que farão da nossa cidade nosso maior picadeiro. O espetáculo de rua pode acontecer em qualquer Região Administrativa de Brasília. O objetivo é reconhecer e valorizar artistas locais, e, ainda, promover a valorização da mulher e da inserção dela no mercado de trabalho.

Solo de Palhaças – Palhaças do Mundo

Palhaças Em Cena (GO)

Local: CiRcA Brasilina – Sobradinho

Horário: 16h00

Solo de Palhaças – Palhaças do Mundo

Madame Dolores, A Grande Cartomante (DF)

Local: Teatro Dulcina

Horário: 19h00

Madame Dolores, a Grande Cartomante! veio ao mundo para trazer luz, por isso estudou Engenharia Elétrica e Meditação. Adquiriu grande parte de seus conhecimentos transcendentais em cursos à distância e workshops parcelados, que até hoje ela está pagando. Com uma coreografia que envolve sensualidade, ritmo e uma precisão de movimentos incrível, ela garante a cura e a solução para todos os seus problemas.

Cabaré (com palhaços e palhaças)

Mestre de Cerimônia: Michele Silveira (RS)

Local: CiRcA Brasilina – Sobradinho

Horário: 21h00

 

 08/10 – SEGUNDA-FEIRA

Oficina Roda de Mulheres – Roda de Mulheres                    

De 8 a 12/10

Local: Instituto Arcanas (714 Norte)

Horário: 14h00 – 18h00

Oficineira: Anasha Gelli (Instituto Arcanas)

A Oficina tem por objetivo proporcionar o exercício da criatividade e do autoconhecimento através do mergulho em temas do universo feminino, favorecendo sua ampliação por meio da arteterapia. Anasha Gelli é atriz e arteterapeuta junguiana. Por meio da pesquisa Umbigo de Eros investiga as relações entre teatro, psicologia e inconsciente.

Oficina Nariz Vermelho: Do ridículo ao estado de graça     

De 8 a 12/10

Local: CiRcA Brasilina (Sobradinho)

Horário: 09h00 – 13h00

Oficineira: Ana Flávia Garcia

A Oficina é introdutória aos caminhos da comicidade, o jogo, o estado, equipamentos de segurança do intérprete, a função, o chamado, improvisação livre, improvisação estruturante, esboçando números e possibilidades em cena. Ana Flávia Garcia é atriz, palhaça e diretora. Como Geléia já participou de muitos festivais nacionais e internacionais de circo e teatro.

Salão de Palhaçaria Feminina

Local: Foyer da Sala Martins Penna-TNCS

Horário: 10h00 – 17h00

Cabaré (com palhaços e palhaças)

Mestre de Cerimônia: Manuela Castelo Branco

Local: SESC Tagua

Horário: 11h00

Cine Mulheres (mostra comentada de filmes. Curadoria: Erika Bauer)

Local: Balaio Café

Horário: 16h00

Curta: Que é ser Palhaça? (Fabiano Morari)

Filme: Julieta dos Espíritos (Fellini)

Neste ano terá a primeira edição do CineMulheres, uma mostra com cinco filmes onde a imagem principal é nada mais, nada menos do que a de uma mulher. As sessões serão comentadas pela cineasta e documentarista Ericka Bauer.

 

Chá Com Palhaças

Local: Balaio Café

Horário: 19h00

Após cada sessão de cinema, será realizado um divertido bate-papo regado a um delicioso Chá Com Palhaças.

 

09/10 – TERÇA-FEIRA

Salão de Palhaçaria Feminina

Local: Foyer da Sala Martins Penna-TNCS

Horário: 10h00 – 17h00

Cine Mulheres

Local: Balaio Café

Horário: 16h00

Curta: Menarca

Filme: Caramelo (Nadine Labaki)

Chá Com Palhaças

Local: Balaio Café

Horário: 19h00

 

10/10 – Quarta-feira

Salão de Palhaçaria Feminina

Local: Foyer da Sala Martins Penna-TNCS

Horário: 10h00 – 17h00

Cabaré (com palhaços e palhaças)

Mestre de Cerimônia: Manuela Castelo Branco

Local: Estrutural

Horário: 11h00

Cine Mulheres

Local: Balaio Café

Horário: 16h00

Curta: A Arte de Andar Pelas Ruas

Filme: As Virgens Suicidas (Sophia Coppola)

Chá Com Palhaças

Local: Balaio Café

Horário: 19h00

 

11/10 – QUINTA-FEIRA

Salão de Palhaçaria Feminina

Local: Foyer da Sala Martins Penna-TNCS

Horário: 10h00 – 17h00

Cine Mulheres

Local: Balaio Café

Horário: 16h00

Curta: Virilhas

Filme: Thelma e Louise (Ridley Scott)

Chá Com Palhaças

Local: Balaio Café

Horário: 19h00

Fórum de Mulheres e Palhaças

Local: Balaio Café

Horário: 20h00

Presença de Verônica Tamaoki (RJ) – Coordenadora do Museu do Circo

Gestores Públicos e Autoridades

 

12/10 – SEXTA-FEIRA

Solo de Palhaças – Palhaças do Mundo

Lia de Manká e Suas Histórias (DF)

Local: Praça dos Três Poderes

Horário: 16h00

Solo de palhaças – Palhaças do Mundo

Isto é Mágica (DF)

Local: Teatro Dulcina

Horário: 19h00

 

13/10 – SÁBADO

In/Excursão Palhacísticas Sinopse: Saída de Encantamento de palhaças em praças  e/ou monumentos de Brasília e Entorno.

Local: Praça do Museu de Planaltina

Horário: 10h00

As palhaças vão invadir as ruas da cidade numa apresentação única, feminina e encantadora, que farão da nossa cidade nosso maior picadeiro. O espetáculo de rua pode acontecer em qualquer Região Administrativa de Brasília. O objetivo é reconhecer e valorizar artistas locais, e, ainda, promover a valorização da mulher e da inserção dela no mercado de trabalho.

Solo de Palhaças – Palhaças do Mundo

Um Tiquinho de Nada (CE)

Local: Praça dos Três Poderes

Horário: 16h00

A palhaça Nada perambula pelas ruas em mais um dia de trabalho. De repente, encontra o lugar ideal para mais um de seus shows de arte de rua. O dia passa… Ela vai arrumando a praça numa trapalhada daquelas. Até que então, no rush do centro, no desmonte da banca do feirante, no recolher da tralha ambulante, tudo pára pra que finalmente Nada faça seu espetáculo!

Solo de Palhaças – Palhaças do Mundo

Pipocando Poesia (Tatiana Carvalhedo)

Local: Praça dos Três Poderes

Horário: 17h00

Solo de Palhaças – Palhaças do Mundo

O Não Lugar de Ágada Tchainik (Inglaterra/SP)

Local: Teatro Dulcina

Horário: 19h00

Diferente dos grandes palhaços mudos, Ágada Tchainik fala muito e tem um humor verbal muito forte. Através de seus discursos, grande parte deles improvisados, a palhaça disseca interminavelmente seus problemas, reclama, sente-se culpada, o que remete mais às neuroses e “tiradas” verbais de Woody Allen do que aos palhaços tradicionais.

 

14/10 – DOMINGO

In/Excursão Palhacísticas

Local: Jardim Zoológico de Brasília

Horário: 10h00

As palhaças vão invadir as ruas da cidade numa apresentação única, feminina e encantadora, que farão da nossa cidade nosso maior picadeiro. O espetáculo de rua pode acontecer em qualquer Região Administrativa de Brasília. O objetivo é reconhecer e valorizar artistas locais, e, ainda, promover a valorização da mulher e da inserção dela no mercado de trabalho.

Solo de Palhaças – Palhaças do Mundo

Brincadeiras, Loas e Outras Boas (DF)

Local: CiRcA Brasilina (Sobradinho)

Horário: 16h00

Brincadeiras, Loas e Outras Boas é uma apresentação de circo-teatro com um repertório de várias cenas do circo tradicional, brincado por uma dupla de palhaças: Geléia e Gelatina. Elas irão trazer para o público as clássicas: Cena do paquerador, cena aqui não pode tocar e a cena do tenor em Paris, entre outras. O roteiro se apresenta de forma leve, compondo um espetáculo dinâmico, interativo e com o nobre intuito de fazer rir.

Solo de Palhaças – Palhaças do Mundo

Seis (Argentina)

Local: Teatro Dulcina

Horário: 19h00

Cabaré (com palhaços e palhaças)

Mestre de Cerimônia: Grupo Nutra (DF)

Local: CiRcA Brasilina – Sobradinho

Horário: 21h00

Entre sucessos e fracassos, o Grupo Nutra vai construindo o espetáculo sempre partindo da relação de cumplicidade com o público. Eles realizam cenas curtas, mesclando música, mágica e dança, e fazendo alusão aos antigos números de cabaré de variedades. O espetáculo foi concebido a partir da pesquisa sobre a linguagem do palhaço.

Serviço:  III Encontro de Palhaças de Brasília.

Data: De 4 a 14 de outubro de 2012

Locais:  Teatro Dulcina / CiRcA Brasilina / Praças, ruas e monumentos da cidade

Entrada franca

LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS

Informações: http://encontrodepalhacas.com.br/

http://circabrasilina.blogspot.com.br/

Fotos: Divulgação.