A mostra “MAB – Diálogos da Resistência” reúne artistas em prol da recomposição do Museu de Arte de BrasÃlia.
Publicado em 21 de January de 2012 em Artes Visuais por Acha
Renato Acha
O Museu de Arte de BrasÃlia surgiu em 1985 a partir da reunião de um acervo proveniente de doações e prêmios aquisitivos de salões locais e nacionais. O prédio possui três pavimentos, com 4.800 m²,  e foi inaugurado em 1960, quando inicialmente abrigava o Clube das Forças Armadas e, posteriormente, o Casarão do Samba.
Mesmo com o inclusão de BrasÃlia como Patrimônio da Humanidade em 1987, o espaço se viu diante de sérios problemas estruturais, além de abrigar um acervo sem a adequada conservação. O golpe final se deu com seu fechamento há cerca de cinco anos.
Em 2006 foi inaugurado o Museu do Complexo Cultural da República, que passou a abrigar exposições temporárias com o acervo do MAB, que se tornou cada vez mais ameaçado pela crescente especulação imobiliária em seu entorno, repleto de condomÃnios e hotéis de luxo que invadiram as margens do Lago Paranoá.
Em 2011, a Prodema (Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural), Wagner Barja (Diretor do Museu Nacional da República), Ana Taveira (Diretora do MAB) e José Delvinei (Subsecretário do Patrimônio Histórico, ArtÃstico e Cultural do DF) se reuniram para discutir a situação do Museu. O resultado apresentou perspectivas positivas para o futuro. A conclusão foi que as parcerias público-privadas poderiam prover recursos para sua tão aguardada recomposição. O compromisso foi de estabelecer a viabilização de um acordo judicial na Vara do Meio Ambiente para garantir a manutenção e revitalização do espaço.
O assunto veio à tona novamente nesta sexta (20 de janeiro), quando Wagner Barja, Ana Taveira e Glênio Lima convocaram vários artistas para uma reunião no Museu Nacional da República. A pauta girou em torno da exposição MAB – Diálogos da Resistência, uma proposta que prevê a relação entre obras de artistas do DF e o acervo do Museu de Arte de BrasÃlia.
“Se não fosse pelo acervo, o MAB já teria sido esquecido, pois sua importância é muito grande para a arte brasileira”, declarou Barja no inÃcio do encontro.
Cada artista escolheu uma obra com a qual vai estabelecer um diálogo. O público vai conferir o resultado na mostra que fica em cartaz de 9 de fevereiro a 11 de março e que prevê a realização de debates a serem realizados nos dias 13 e 14 de fevereiro, quando se pretende discutir propostas relativas ao projeto da reforma e revitalização com o objetivo de contornar este longo hiato na história das artes visuais em BrasÃlia.

Wagner Barja e TT Catalão.

Cirilo Quartim, Alexandre Rangel e Márcio Mota.

Zé Nobre e Célia Matsunaga.

Carmen San Thiago, Tatiana Duarte e Andrey Hermuche.
Serviço: MAB – Diálogos da Resistência
Data: 9 de fevereiro a 11 de março de 2011
Local: Museu Nacional da República (Setor Cultural Sul)
Horário de Visitação: De terça a domingo, de 9:00 às 18:30
Entrada Franca.
3 Comments to “A mostra “MAB – Diálogos da Resistência” reúne artistas em prol da recomposição do Museu de Arte de BrasÃlia.”
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Romulo says:
Toda cidade que se preza incentiva os jovens e visitantes que chegam a visitar o Museu de arte, onde se preserva a memória, as diversas linguagens, o processo histórico e cultural da comunidade. O conceito de Museu tem se transformado muito nos últimos anos – não está mais deslocado da vida, parado no tempo ou tão ligado apenas a uma visão elitista, mas continua um espaço de conhecimento e reflexão imprescindÃvel. Li em algum lugar e concordo: ‘Não existe cidadania sem memória, e não existe memória sem a arte. A arte é o espelho de um povo’.
Lis Marina de Oliveira says:
A BrasÃlia especulativa engole covardemente um Museu respeitado. O MAB deve ser revitalizado urgentemente. Está prensado entre dormitórios elitizados e gente de todos os lugares. Aliás, um excelente motivo para estas pessoas circularem é ter espaços culturais ao seu redor. Além do MAB a Concha Acústica. Locais de tradição e absolutamente relegados ao pior abandono. Que esta exposição sirva mesmo para reabilitar a atenção para um Museu extremamente importante para memória cultural da capital brasileira.
Romulo says:
‘precisamos reinventar a brasÃlia que ainda existe no pulso inicial; a outra brasÃlia, nova, extraordinária, ainda mora naquela, na que sempre existiu; retomar ritmos sem retornar a velhos ritos, eis o desafio – reaprender com o Cerrado como brotar depois de tanta labareda; descobrir onde se abriga a água quando queimam as veredas’. uma bela sÃntese do convite e desafio do momento pelo TT Catalão