Mônica Salmaso e a “Alma Lírica Brasileira” em entrevista.

Fotos: Renato Acha.

Renato Acha

Mônica Salmaso esteve em Brasília na última semana, como convidada para integrar o concerto de abertura do FLAAC 2012 (Festival Latino-Americano de Arte e Cultura) no sábado (21 de abril). A dupla celebração marcou os 52 anos de Brasília e 50 anos da Universidade de Brasília em uma bela apresentação.

Durante os ensaios o Acha Brasília conversou com a cantora, que falou sobre o convite para integrar o concerto, sua relação com o público de Brasília, o repertório da noite e as conexões da música brasileira com as culturas latina e africana. Mônica Salmaso lançou o álbum Alma Lírica Brasileira, que vai ganhar um DVD luxuoso com direção de Walter Carvalho, seguido de turnê. Ela ainda que lançar um disco de composições inéditas de Guinga e Paulo César Pinheiro.

Mônica Salmaso Foto Renato Acha

 

Acha – Como você recebeu o convite para participar da abertura do FLAAC 2012?

Mônica Salmaso – “Quando o convite chegou eu fiquei bem feliz por algumas razões. Eu gosto muito de cantar em Brasília. Desde a primeira vez que eu vim à cidade, levei um susto. Cantei no Feitiço Mineiro há muito anos e quando cheguei era um espaço super informal, mas estava super lotado e o que me impressionou era que as pessoas cantavam tudo. Daí eu falei: ‘Mas de onde vocês aprenderam isto, se eu nunca vim aqui?’.

Então de cara já foi uma atmosfera tão feliz, tão quentinha de chegar. Depois houve uma linda apresentação na Sala Villa-Lobos – a Noite De Gala do Samba na Rua – e o teatro estava lotado. Então eu tenho uma sensação feliz de cantar aqui e depois porque é bonita a ideia de misturar o Brasil com a América Latina, onde ele está, mas a gente é muito excluído, a gente se exclui. Também somos parte da África, pois o Brasil é feito da África, da Europa e dos índios, então isto é tão nosso que não dá para dizer que nós somos uma coisa qualquer que acontece entre estas três ou então todas as possibilidades que aconteçam entre estes três elementos. Na América Latina nós falamos outra língua e ficamos excluídos disto. A gente se isolou ou então a própria língua nos isolou, mas é uma língua tão próxima que nem era motivo para este isolamento.

Eu tenho namorado a música latina há um bom tempo. Olho para ela com curiosidade e até com uma certa vergonha de não conhecer o quanto deveria por estar tão perto. Já não acontece o contrário, pois quando viajei pela América Latina, percebi que eles têm conhecimento da música brasileira muito maior do que nós temos da música feita por lá. O fato de fazer parte de um evento que reverencia esta mistura – esta unidade maior do que a gente sozinho ali – é muito bom! Eu concordo e gosto de fazer parte disto. Eu estou muito feliz!”

 

Acha – A escolha do repertório foi coletiva?

Mônica Salmaso – “O maestro (Ângelo Rafael Fonseca) já tinha todo um conceito, com orquestra e instrumentos de percussão extra com Tambores de Minas. Ele tinha esta noção abrangente do que seria o conceito e eu não. Ele me deu algumas sugestões e sugeri algumas coisas que já estavam no repertório. Chegamos a um consenso e enviei os tons para ele e os arranjos foram criados. Conheci tudo ontem no ensaio.”

Acha – O você prepara para este ano?

Mônica Salmaso – “Tem uma coisa muito linda que está para acontecer. Meu disco mais recente foi feito com o Teco Cardoso e o Nelson Ayres e chama-se Alma Lírica Brasileira. Este é um disco que eu adoro muito. Temos a expectativa de seguir em turnê, o que se estendeu um pouco por conta de uma surpresa que aconteceu. Vamos fazer um DVD deste disco com direção de Walter Carvalho, um luxo surreal!

A gente não se conhecia e ele é a pessoa mais generosa que já conheci. Eu já era uma grande admiradora da arte dele e da forma como ela faz, do olhar que ele tem sobre as coisas, de quanto ele se envolve por cada projeto. Ele é uma pessoa que tem uma personalidade artística, uma assinatura. Ele aceitou o convite e fiquei muito impressionada. Falei para ele: ‘Nós temos um show que já está pronto, quentinho, a gente tem ele na mão e na garganta, um teatro maravilhoso, que é o Teatro Alfa, em São Paulo, temos um piano enorme e vamos fazer o que você quiser.’

Foram três dias de filmagem, sem público, só a equipe e uns amigos, porque era para ele ficar na nossa frente, porque o problema de filmar um show com público é que o trabalho dele ficaria um pouco limitado.

Era um luxo, uma realeza tão grande, que eu não poderia tirar um milímetro das possibilidades dele, então nos disponibilizamos completamente para realizar o que ele pedisse e foi muito lindo e emocionante. Quando terminou eu chorei. Foi tão intenso!

Agora o DVD está em fase de montagem. Vou conhecer a primeira montagem nesta semana e o material deve ficar pronto neste ano e será exibido com exclusividade no Canal Brasil e depois vira um produto comercializado pela gravadora Biscoito Fino.

Aquela turnê que era para ser um disco se tornou um DVD e continuo renovada com esta expectativa de conseguir um patrocinador para fazermos o desenho da turnê, que já está pronto. Eu estou doida para fazer porque é muito bonito. Poucas vezes eu tive tanta certeza boa de oferecer um negócio bom. É bom! É o melhor que a gente pode fazer! Você pode não gostar, mas é bom!

Depois eu tenho um projeto que quero muito fazer. Em princípio já está engatilhado, mas o prazo vai se estender por conta do lançamento do DVD. São músicas de Guinga e Paulo César Pinheiro que tem a minha idade e que são inéditas. É uma caixa de joias que apareceu, eu sabia que existia, e acabei tendo acesso a ela e preciso fazer.”