A nova geração da música “Sai da Rede” para o CCBB em janeiro.

CCBB abre o novo ano com uma programação musical dedicada a novos intérpretes e compositores que se destacam pela produção, difusão e comercialização de suas obras através da Internet e de novas tecnologias.

O projeto “Sai da Rede – O Som que vem da Web” tem curadoria de Amanda Menezes Pedro Seiler e apresenta uma série de nove shows com expoentes da nova música brasileira, entre os dias 7 e 23 de janeiro de 2011. Cada artista se apresentará com sua banda completa e cenário exclusivo.

O circuito musical virtual não tem fronteiras e a produção e execução da música pode transitar entre redes sociais, sites especializados, blogs, vlogs e rádios virtuais com total liberdade. Neste cyberespaço infindável, artistas se relacionam com fãs de forma direta e imediata, uma excelente forma de divulgar um bom trabalho.

É notório o surgimento de diversos nomes que ganharam outras mídias e que começaram seu trabalho pela Internet, conforme comenta a curadora Amanda Menezes: “As grandes tendências na área musical têm surgido primeiro nas redes sociais, sendo então apresentadas na grande mídia”. Este novo campo amplia os olhos do público, da mídia e dos próprios músicos em relação à diversidade de ritmos e linguagens advindos da rica música produzida no Brasil.

O “Sai na Rede” traduz isto ao brindar a capital com jovens intérpretes e compositores de estados como Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro e São Paulo, com sons que vão do rock ao eletrônico, do dub ao jazz, do samba ao reggae em um caldeirão de temperos. O projeto segue daqui para São Paulo em março e promete ter vida longa.

A maratona de shows começa no dia 7 de janeiro com o baiano Lucas Santtana, um geek musical que já lançou quatro álbuns desde 2000. Eletro Ben Dodô (2000) Parada do Lucas (2003), 3 Sessions in a Grennhouse (2006) e Sem Nostalgia (2009). Em 2010 ele comemora o sucesso com o lançamento de um vinil onde reúne uma compilação de onze sucessos resultantes destes trabalhos.

Lucas Santtana. Divulgação.

No sábado (8 de janeiro) é vez da paulistana Tiê apresentar seu disco “Sweet Jardim” e algumas músicas do próximo álbum que sai em março. Tiê também é instrumentista, além de intérprete e compositora em francês, inglês e português. Ela já mostrou sua voz doce por aqui e tem vários fãs por aqui.

Caetano Veloso que o diga: “Coisa mais linda mesmo é Tiê. Passarinho no Youtube é uma janela para um céu. Ela é apaixonante. Tinham me falado dela, mas não pensei que fosse assim tão bonito tudo aquilo. Ela cantando sobre o próprio nome, com naturalidade total, musicalidade totalmente natural, tudo, fazendo as ruas de São Paulo parecerem bonitas como nas palavras de John Cage: ‘São Paulo é cheia de flores’ ”.

Tiê. Foto: Daryan Dornelles.

Tiê. Divulgação.

No domingo (9 de janeiro),  é a vez de Isaar, conhecida por seus trabalhos junto aos grupos Cumadre Fulozinha DJ Dolores. Ela apresenta seu segundo CD solo “Copo de Espuma”, em que assina praticamente todas as músicas e as interpreta de maneira magistral. Impossível não sentir o ritmo e swing desta pernambucana que gravou este CD em 2008, com recursos do Prêmio de Produção do Projeto Pixinguinha (Funarte).

Em ‘Azul Claro’ (2006), fiz um disco mais introspectivo. Nesta segunda experiência, procurei trazer conceitos diferentes, com letras que apesar ter uma dose de melancolia, falam de alegria”, explica a artista, que ganhou o Troféu Apacepe de Melhor Trilha Sonora por “Leve“. Seu universo poético, imagético e musical se funde em uma apresentação sinestésica que promete agradar a plateia.


Isaar. Foto: Beto Figueiroa.

A segunda semana começa com o show coletivo paraibano Burro Morto na sexta (14 de janeiro). Eles misturam diversas influências e ritmos como afrobeat, dub, grooves, jazz, tudo de maneira muito sofisticada com aquela pegada psicodélica dançante, típica de nordestinos bem antenados.

Uma apresentação visceral para fazer dançar e se contagiar por seu som e a projeção de imagens delirantes.


Burro Morto. Foto: Alexandre Potter.

No sábado (15 de janeiro) Lulina (PE) canta músicas do elogiado CD “Cristalina” e algumas novidades do novo trabalho que começa a ser gravado no mesmo mês. A internet foi aliada de Lulina por sete anos de shows, até a gravação do primeiro disco. A rede é um brinquedo nas mãos da publicitária que cria músicas em torno do universo da Lulilândia, um avatar que criou para transcender e conhecer o mundo. Ela acabou de disponibilizar um CD de músicas para presentear no fim de ano. O público copiar as músicas para um CD-R e imprimir capa e contracapa de graça, basta acessar o link do blog Lulilândia.


Lulina. Foto: Renato Parada.

Formado pelo trio de multi-instrumentistas produtores Rica Amabis, Tejo Damasceno e Daniel Ganjaman , o Instituto gravou “Coleção Nacional”, cujo título já dá uma idéia da diversidade de sons do coletivo que convidou vários nomes para integrarem as faixas onde se ouve ritmos como dub, groove, mangue, samba e psicodelia, no melhor estilo freestyle .

O time de convidados é digno de nota: Fernandinho Beat-Box, Sabotage, Rappin’ Hood, BNegão, Z’África Brasil, Otto, Los Sebosos Postizos (projeto paralelo de membros da Nação Zumbi), Fred Zero Quatro (Mundo Livre S.A.), Flu, Maurício Takara (Hurtmold), Bonsucesso Samba Clube, Cila do Coco e Kid Koala fazem de “Coleção Nacional” um dos marcos musicais da primeira década do milênio.

Instituto. Divulgação.

A terceira semana tem Letuce (RJ) na sexta (21 de janeiro). Formado pelos namorados Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos em 2008, fundem música e performance em um show para falar de sentimentos comuns a pessoas apaixonadas. Ao lado de Rodrigo Jardim (baixo) e Thomas Harres (bateria), o casal produz uma infinidade de músicas divertidas e criativas de forma despretensiosa.

Em 2010, o Letuce foi protagonista de dois momentos marcantes: o Festival Multiplicidade e Som em que brincaram de piscina no palco, ao lado do artista visual Paulo Camacho e o show Churrasquinho Sunset em que cantavam hits de Agepê, Roxette, Elymar Santos e Raça Negra em uma atmosfera despojada de festa na laje.


Letuce. Divulgação.

No sábado (22 de janeiro), Tulipa Ruiz (SP) apresenta seu CD “Efêmera“, o lançamento mais elogiado pela crítica especializada em 2010. A cantora acabou receber o Prêmio Folha de São Paulo de Melhor Show, Disco do Ano no site Vitrola.Net e o Prêmio Orilaxé de Melhor Cantora.

Entre prêmios e plateias crescentes, a cantora desenhista com nome de flor deixa sua delicada essência feminina perfumar a capital pela primeira vez em uma performance imperdível.


Tulipa Ruiz. Foto: Samuel Esteves.

Para encerrar o “Sai da Rede”, João Brasil (RJ) faz show no domingo (23 de janeiro). O cantor que desponta na internet no Brasil e Europa, se prepara para lançar singles pelo selo alemão Man Recordings com a participação de Lovefoxx (CSS) e outras convidadas. A apresentação em Brasília vai ser dedicada ao seu último projeto, o 365 mashups e a segunda parte com as convidadas Gaby Amarantos, Marina Gasolina e Sapabonde.

João Brasil. Divulgação.

A música e a rede são rizomas que se entrelaçam para dar voz à geração conectada pela diversidade. Um belo presente de ano novo, o projeto Sai da Rede fica no CCBB de 7 a 23 de janeiro de 2011.

Serviço: Sai da Rede

Data: de 7 a 23 de janeiro de 2011.
Local: Teatro I do CCBB Brasília (SCES Trecho 2, lote 22).

Dias e horários: de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h.
Classificação indicativa: Livre para todos os públicos.

7/1 (sexta) – Lucas Santtana
8/1 (sábado) – Tiê
9/1 (domingo) – Isaar
14/1 (sexta) – Burro Morto
15/1 (sábado) – Lulina
16/1 (domingo) – Instituto
21/1 (sexta) – Letuce
22/1 (sábado) Tulipa Ruiz
23/1 (domingo) – João Brasil

Preço: R$ 15,00 e R$ 7,50 (meia-entrada para estudantes, professores, pessoas com mais de 60 anos e clientes BB).
A venda antecipada de ingressos para cada semana da temporada inicia-se no domingo da semana anterior, restrita a quatro bilhetes por pessoa.

Informações: 61 3310-7087.